balanço antecipado

quantos aprendizados é possível se ter ficando quase 2 anos dentro de casa enquanto o mundo desaba? adianto que muitos. esse ano ficou mais do que claro que o ser humano se adapta a qualquer coisa e continua vivendo apesar de. apesar do governo insano. apesar de pandemia. apesar de perder pessoas queridas. apesar de poder se encontrar muito pouco com amigos/família ou viajar. esse ano contribuiu muito para a minha introspecção. para atribuir pesos a situações e pessoas. para revisitar o que cabe e o que não cabe mais.

foi um ano que apesar de ter passado boa parte dentro de casa, teve inúmeras mudanças. de pessoas. de rotina. de trabalho. de pensamentos. de julgamentos. foi um ano duro no aspecto emocional, mas com muitas conquistas também. de quebras e fortalecimentos de laços. meus e com os outros.

para mim, um ano revolucionário.

Não é um retorno se eu nunca fui embora

Recentemente acompanhei alguns manifestos de pessoas que escrevem na internet sobre a ideia de retomarmos a blogosfera que tínhamos antigamente. Pessoalmente acho que é uma ambição grande, afinal, como mostraram algumas discussões, escrever sobre os moldes de antes vai de encontro a toda aquela cartilha de “produza mais, produza rápido, seja o primeiro” que vemos habitando nossas redes sociais diariamente. É um movimento de nadar contra a corrente, de se permitir ser absorvido por um texto que não está tentando vender nada para você e que apenas quer um pouco da sua atenção. Parece simples, né? Só parece. Hoje sabemos que a atenção é um processo cognitivo e comportamental nosso que vem sofrendo uma fragmentação pela quantidade de informações que chega até nós, então mora aí um desafio. Como chamar a atenção de alguém escrevendo sobre o cotidiano, sobre bandas/filmes/livros/pensamentos em textos fora dos moldes de um twitter/instagram e outras amenidades num mundo como esse? Não sei, descobriremos juntos.

Uma das frases que mais gosto de pensar quando estou prestes a tomar alguma decisão que me assusta é uma frase que está meio batida nas internets, mas deixo ela aqui com vocês:

“Se tiver medo, vai com medo mesmo”

Mesmo que ter um blog não tenha diferença prática na minha realidade profissional (veja bem, nos últimos 2 anos a única coisa que tenho escrito são relatórios técnicos e apresentações de projetos), ainda dá medo de não dar certo. Dá medo de abandonar mais um projeto pessoal que comecei ou de ser ridícula no meio de textos geniais que vejo rodando por aí. Dá medo desse ser um espaço de troca e no final das contas não ter com quem trocar. As inseguranças são muitas. Mas estamos aí, como não temos bola de cristal para saber se isso irá dar certo, a gente segue em frente e tenta.

Só desejo que a gente possa engajar uma comunidade e possa se sentir acolhido da mesma forma que nos sentimos há 10 anos com esses espaços. Não sabemos em que lugar chegaremos com isso, mas confesso que acendeu uma chama que estava apagada aqui dentro. Vamos tentar mais uma vez?